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- Larissa Daher Michel - Hospital das Clínicas (UFMG) - Belo Horizonte/MG
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ESPOROTRICOSE DISSEMINADA FATAL SIMULANDO DOENÇA INFLAMATÓRIA ORBITÁRIA CRÔNICA
RESUMO DA HISTÓRIA CLÍNICA
Paciente masculino, 74 anos, trabalhador rural aposentado, natural e residente de Minas Gerais, tabagista importante (carga tabágica de 60 anos-maço), sem diagnóstico prévio de imunodeficiência, iniciou quadro oftalmológico progressivo caracterizado por lacrimejamento bilateral, diplopia e redução da acuidade visual, com predomínio em olho direito. Evoluiu com dor ocular, hiperemia conjuntival, edema palpebral, estrabismo e oftalmoparesia secundária a paresia incompleta do III par craniano à direita, associada a desvio ipsilateral do globo ocular. Referia perda ponderal de aproximadamente 8 kg em quatro meses.
Foi internado para investigação diagnóstica prolongada. Tomografia computadorizada e ressonância magnética de órbitas evidenciaram lesão infiltrativa mal delimitada acometendo o ápice orbitário direito e a fissura orbitária superior, com extensão para o seio cavernoso e células etmoidais posteriores, inicialmente interpretada como processo inflamatório granulomatoso ou neoplásico infiltrativo. Biópsia de seio paranasal revelou inflamação inespecífica, sem evidência de neoplasia ou de agente infeccioso específico. A investigação liquórica foi negativa para células neoplásicas.
Durante a evolução, apresentou síndrome consumptiva progressiva e episódio de hemorragia digestiva baixa com repercussão hemodinâmica. Endoscopia digestiva alta demonstrou extensa úlcera piloroduodenal penetrante. Apesar de ampla investigação clínica, neurológica, reumatológica e radiológica, não foi estabelecido diagnóstico definitivo. Sorologias para HIV, hepatites virais e sífilis foram negativas. Diante da hipótese de doença inflamatória orbitária crônica, foi submetido à pulsoterapia com metilprednisolona intravenosa, seguida de prednisona oral em altas doses, mantida por período prolongado.
Após aproximadamente sete meses de evolução clínica, foi reinternado por febre, sintomas urinários, piora do estado geral e persistência do déficit visual. Ao exame físico, apresentava-se emagrecido, com anasarca importante, livedo reticular difuso, hepatomegalia palpável e ulceração superficial indolor em membro superior direito associada a secreção esbranquiçada. Evoluiu com polineuropatia sensitivo-motora progressiva, marcha atáxica e deterioração multissistêmica. A eletroneuromiografia demonstrou polineuropatia periférica sensitivo-motora axonal crônica e recente. Apresentou episódios recorrentes de febre, taquiarritmias, hipoxemia, broncoespasmo, prurido difuso, disfunção renal aguda e piora progressiva do estado geral. O óbito ocorreu por insuficiência respiratória aguda, acidose metabólica, hiperlactatemia e choque circulatório refratário, a despeito das medidas avançadas de suporte.
REFERÊNCIAS
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- Schubach A, Barros MB, Wanke B. Epidemic sporotrichosis. Curr Opin Infect Dis. 2008;21(2):129-33.
- Ramírez-Soto MC, Aguilar-Ancori EG, Tirado-Sánchez A, Bonifaz A. Ocular sporotrichosis. J Fungi (Basel). 2021;7(11):951.


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